Para Quem a Vida Nômade É Boa (e Para Quem Não É)

vida Nômade boa

Acordar numa cidade diferente, tomar café sem pressa e decidir qual lugar conhecer depois do trabalho. Como diz um famoso narrador esportivo, QUE BELEZA! Parece um sonho, né? E a vida nômade é boa mesmo para quem gosta de liberdade. Só que tem uma parte dessa história que não costuma aparecer nas fotos bonitas. A mochila pesada, a hospedagem ruim, o dinheiro contado e aquela saudade que bate quando você menos espera.

Eu saí de Búzios porque queria conhecer o Brasil, suas cidades e principalmente as pessoas. Não tenho uma van equipada, não fico em hotéis caros e muito menos passo o dia inteiro deitado numa rede olhando o mar (quem me dera). Viajo economizando, trabalho pelo caminho e tento aproveitar cada parada. Gosto demais dessa vida, mas será que serve para qualquer pessoa? Cara, acho que não. Tem gente que vai se encontrar na estrada e outros que vão querer voltar para casa depois do terceiro ônibus. Bora ver onde você se encaixa.

Liberdade Nômade É Boa, Mas Tem Um Preço

Imagina você chegando em Florianópolis numa sexta-feira, com vontade de conhecer as praias, sair à noite e aproveitar tudo. Só que tem trabalho atrasado, boleto vencendo e a hospedagem acaba na segunda. É, o papo é outro!

Nas férias, dá para gastar um pouco mais porque você sabe quando vai voltar. Já quem vive viajando precisa pensar no mês inteiro. Viajar não é tirar férias o tempo todo, por mais que as fotos do Insta tentem convencer você do contrário.

Minha grana apertada vem dos rendimentos de investimentos e dos atendimentos que faço como coach de encontros casuais. Não é uma fonte infinita de dinheiro, então preciso controlar hospedagem, alimentação, transporte e os pequenos gastos que aparecem pelo caminho.

Normalmente fico entre uma e duas semanas em cada cidade. Viajo principalmente de ônibus, aceito caronas quando são seguras e procuro lugares econômicos para dormir. Às vezes tenho que fazer o estilo pão duro mesmo, porque a conta precisa fechar antes de pensar no próximo destino.

O lado bom? Não preciso de muito luxo para curtir. O lado complicado? Quando alguma coisa dá errado, sou eu quem precisa desenrolar. Perdeu o ônibus, a internet caiu, a hospedagem não era aquilo tudo? Respira e resolve, mano.

Mas foi justamente essa possibilidade de escolher meus caminhos que me fez sair de Búzios. Adoro Geribá, Ferradurinha, Orla Bardot e aquele clima de cidade turística. Só queria descobrir como seria viver em lugares completamente diferentes de onde cresci.

E olha que liberdade vem com responsabilidade. Não dá para gastar tudo no primeiro fim de semana e depois ficar torcendo para surgir dinheiro do nada.

Quem Curte Conhecer Gente Sai Ganhando

Uma das coisas mais legais dessa vida é chegar numa cidade sem conhecer ninguém e perceber que existem oportunidades de fazer amizade em tudo quanto é canto.

Imagina sair para correr numa manhã de sábado, encontrar uma turma treinando, trocar ideia sobre o percurso e descobrir que o pessoal costuma tomar um café depois. Pronto, você já encontrou uma atividade e uma oportunidade de conhecer gente nova.

Eu gosto bastante de corrida de rua e uso o Strava para acompanhar atividades. Para quem viaja sozinho, circular onde a vida acontece é muito melhor do que passar todos os dias entre o quarto e o supermercado.

Em Curitiba, por exemplo, o Parque Barigui é um bom lugar para caminhar, correr e procurar grupos de atividades ao ar livre. Você pode pesquisar clubes de corrida que utilizam a região e verificar os encontros programados.

Não quer correr? Beleza. Pode fazer aula de dança, participar de um passeio coletivo, entrar num curso ou procurar uma atividade cultural. O importante é escolher alguma coisa que você realmente curta. Ter um interesse em comum ajuda muito na hora de começar uma conversa.

E os encontros casuais?

Aí entram os aplicativos de relacionamento, bares, festas e eventos. Um showzinho de pagode ou sertanejo já cria um clima gostoso para trocar ideia. Você conhece uma pessoa interessante, começa a conversar, rola uma brincadeira e quem sabe até um date.

Mas ó, não transforma toda saída numa operação para levar alguém para a cama. Paquera não é missão obrigatória, e ninguém precisa ficar dando xaveco em todo mundo para provar que aproveitou a noite.

Se rolar química, ótimo. Se aparecer uma amizade, show de bola também. Conhecer pessoas novas já é uma das melhores partes da viagem.

O Trampo Precisa Funcionar Antes da Viagem

Sextou, praia bonita, um pagodinho marcado e aquela vontade de largar o notebook para amanhã. Só que amanhã tem outro compromisso, depois tem ônibus e na segunda você precisa atender um cliente.

Calma calabreso, alguém tem que pagar essa viagem!

Quem trabalha pela internet tem mais liberdade geográfica, mas continua tendo obrigações. O dinheiro precisa continuar entrando enquanto você conhece lugares novos. Não adianta viver de passeio e esquecer justamente o trabalho que permite continuar viajando.

Minha base profissional é a internet. Segundo o IBGE, 95% dos domicílios brasileiros utilizavam internet em 2025. É uma ótima notícia, mas não significa que toda pousada tenha uma conexão boa para uma chamada de vídeo.

Imagina você atendendo um aluno, explicando alguma coisa importante, e a imagem congela bem na hora. A pessoa pergunta se você está ouvindo, você responde e ninguém escuta nada. Que beleza de atendimento, né?

Por isso eu tento confirmar a qualidade da internet antes de reservar uma hospedagem. Às vezes internet boa vale mais do que uma varanda bonita que só serve para tirar foto.

Outra coisa que ajuda é organizar os horários. Resolver as tarefas primeiro e deixar os passeios para depois evita aquele sentimento de estar sempre devendo alguma coisa.

Murilo, mas não dá vontade de mandar tudo para o alto e ir curtir?

Dá sim, maninho. Só que trampo primeiro, passeio depois costuma funcionar melhor. A praia continua lá quando você fecha o notebook.

Quem Precisa de Muito Conforto Pode Sofrer

Vou montar uma situação para você imaginar.

Depois de oito horas num ônibus, você chega cansado, procura a hospedagem e descobre que o quarto é menor do que parecia nas fotos. O chuveiro não esquenta direito, tem barulho na rua e ainda precisa encontrar um lugar para jantar.

Deu ruim? Depende do seu nível de paciência.

Eu consigo lidar com bastante coisa para economizar, mas também tenho limites. Barato demais pode sair caro quando a hospedagem fica longe de tudo ou não oferece condições adequadas para descansar e trabalhar.

Prefiro um quarto simples, limpo, seguro e bem localizado a uma acomodação sofisticada que vai comer metade da minha grana.

Agora, tem gente que precisa de uma rotina mais organizada. Gosta de dormir sempre na mesma cama, cozinhar na própria cozinha, frequentar a mesma academia e encontrar os amigos de longa data.

E tá tudo certo. Teu conforto tem um limite e ninguém precisa ultrapassá-lo para provar que é aventureiro.

Também não dá para ignorar a saúde e a segurança. Dormir mal durante várias noites, comer qualquer coisa e viver cansado não é uma conquista.

Eu tento manter minhas corridas, cuidar da alimentação e escolher lugares onde consiga descansar. Afinal, uma cama boa ajuda muito quando você tem outro dia de trabalho pela frente.

E a Vida Amorosa de Quem Vive Caindo na Estrada?

Imagina você chegando numa cidade, dando match com uma mina da hora e marcando um encontro num barzinho. O papo flui, vocês trocam uns beijos e combinam de se encontrar novamente.

Só que tem um detalhe. Daqui a cinco dias você pega outro ônibus.

E agora, carinha?

Eu gosto de encontros casuais justamente porque acredito que uma conexão não precisa virar casamento para ter valor. Pode ser uma noite gostosa, algumas semanas se conhecendo ou uma amizade que continua depois da viagem.

Mas ninguém precisa prometer o impossível para conseguir um date. Se você já sabe que vai embora, manda a real. Não deixa alguém acreditar que estará por perto durante meses só porque o papo está bom.

E isso vale para os dois lados. Tem gente que procura compromisso, tem quem queira ficar solteiro(a) e tem pessoas que estão abertas a ver o que acontece.

O lance é descobrir se a vontade dos dois combina. Quando existe sinceridade e reciprocidade, fica muito mais fácil aproveitar sem criar expectativas falsas.

Também existem relacionamentos à distância e casais que vivem em cidades diferentes. Não é impossível namorar sendo nômade, mas exige disposição, confiança e planos que façam sentido para ambos.

E tem a solidão, viu. Você pode conhecer um monte de gente e ainda sentir falta de alguém que realmente faça parte da sua rotina.

Amizade profunda leva tempo. Às vezes a viagem continua justamente quando você começou a gostar de uma turma.

Por isso eu acho importante manter contato com bons amigos, inclusive aqueles de antes da vida nômade. Nem todo vínculo precisa terminar quando você muda de cidade.

Quem Vai Curtir a Estrada e Quem Vai Querer Voltar?

Tem gente que ouve falar em viajar sem endereço fixo e já começa a pesquisar mochila. Outros imaginam ficar longe da família, trocar de cama toda semana e pensam, pra cima de mim não!

Eu entendo os dois.

A verdade é que nem todo mundo quer essa rotina, mesmo gostando de viajar. E olha que isso não tem nada a ver com coragem, sucesso ou ser mais interessante que os outros.

Preparei uma comparação para você pensar no que combina com sua personalidade.

Aspecto Combina Mais Com Quem… Pode Ser Difícil Para Quem…
Rotina Gosta de novidades e consegue se adaptar a mudanças. Prefere horários, lugares e hábitos bem definidos.
Trabalho Tem renda compatível com viagens e consegue trabalhar à distância. Precisa estar presencialmente no mesmo lugar.
Dinheiro Controla os gastos e aceita trocar luxo por experiências. Depende de um orçamento muito apertado ou imprevisível.
Conforto Consegue ficar bem em acomodações simples. Precisa de estrutura fixa ou tem necessidades específicas.
Vida Social Gosta de conhecer gente e também sabe aproveitar a própria companhia. Sofre muito ficando longe das pessoas próximas.
Imprevistos Consegue reorganizar planos quando alguma coisa dá errado. Fica muito desgastado com mudanças frequentes.
Relacionamentos Consegue conciliar vínculos afetivos com uma rotina móvel. Busca presença diária e estabilidade geográfica.

Agora se liga numa coisa. Você pode se identificar com algumas características dos dois lados. Ninguém precisa encaixar perfeitamente numa coluna.

Uma pessoa pode adorar mudanças e ao mesmo tempo sentir muita saudade da família. Pode gostar de conhecer cidades novas, mas não abrir mão de uma boa cama.

Curiosidade conta mais que pose. Não adianta bancar o aventureiro se a experiência inteira está mexendo com seu metal.

E se descobrir que prefere viajar só nas férias, ótimo. Não existe vencedor nessa comparação, existe o estilo de vida que funciona melhor para você.

Para Quem a Vida Nômade É Boa? Faz Um Teste

Se você está pensando em virar nômade digital, não precisa vender os móveis, cancelar o aluguel e anunciar para a rapaziada que agora vai viver pelo mundo.

Segura tua onda. Primeiro experimenta.

Escolha uma cidade relativamente próxima e passe alguns dias trabalhando de lá. Mas nada de transformar a experiência em férias. Mantenha os compromissos, controle a grana, faça compras no mercado e veja como se sente.

O lance é testar a rotina de verdade, inclusive nos dias em que não existe passeio interessante ou companhia para sair.

Minha própria estrada começou assim, saindo de Búzios, seguindo para Campos dos Goytacazes, depois Serra e Vila Velha. Cada parada fazia parte daquela vontade de descobrir um pouco mais do Brasil.

Agora imagina planejar uma temporada em Florianópolis. Praia bonita, vida ao ar livre e uma porção de lugares para conhecer. Show de bola. Mas tu consegue bancar?

Hospedagem, alimentação, transporte e acesso aos lugares que pretende frequentar precisam entrar na conta. A localização muda muita coisa, principalmente quando você não está viajando de carro.

Se quiser inspiração para entender como é possível viajar de maneira econômica, dá uma olhada nos vídeos do Caba da Péda no YouTube. O cara viaja de bicicleta, passa por diferentes cidades e mostra uma rotina que inclui hospedagens simples, perrengues e até noites dormindo numa rede.

Não precisa copiar o estilo dele ou o meu. Cada pessoa tem seus limites, orçamento e objetivos.

Gostou da experiência? Teste outra cidade. Percebeu que prefere seu cantinho? Se não curtir, volta sem drama. Melhor descobrir isso numa viagem curta do que depois de se desfazer de tudo.

A Melhor Rotina É a Que Você Escolhe

Eu gosto demais dessa vida. Tem ônibus desconfortável, hospedagem que decepciona e vontade de ficar mais tempo numa cidade que comecei a curtir. Mas também tem lugares novos, praias, boas conversas, amizades e aquela sensação gostosa de que ainda existe muito Brasil para conhecer.

Pra mim, a vida nômade é boa porque combina com minha curiosidade e com a maneira como quero viver neste momento. Só não acho que seja superior a qualquer outro estilo de vida.

Se você gosta da sua casa, da academia do bairro, do barzinho de sexta e dos amigos que estão sempre por perto, aproveita carinha! Ter raízes também é escolha, e pode ser uma escolha maravilhosa.

Eu prefiro continuar pegando a estrada, cuidando do trabalho, investindo, correndo pelas cidades e conhecendo pessoas diferentes. Se aparecer uma amizade top, ótimo. Se rolar um date, melhor ainda. E se não acontecer nada disso, continuo tendo uma cidade inteira para descobrir.

Talvez um dia encontre um lugar onde queira ficar por muitos anos. Talvez volte para Búzios ou decida ter uma base fixa para viajar só de vez em quando.

E sabe de uma coisa? Mudar de ideia é permitido quando a vida toma outros rumos.

O que eu não faria é viver uma rotina que detesto só para manter uma imagem bonita nas redes sociais. Nem todo mundo precisa ser nômade, morar na praia, casar ou seguir o mesmo caminho.

Afinal, liberdade não tem formato único. Cada um encontra seu jeito de aproveitar.

Eu vou continuar por aí, com minha mochila, tênis de corrida e vontade de trocar ideia com gente nova. Ainda tenho muita história para descobrir nesse Brasilzão.

E você? Bateu o martelo se prefere cair na estrada ou curtir teu cantinho? Vale experimentar pra descobrir, tamo junto!

Autor

  • Murilo Costa

    Oi, sou Murilo Costa, coach de encontros casuais e nômade digital. Tô sempre mudando de cidade. Sou Brasileiro, de Búzios (quase não paro lá) e vou compartilhar muitas dicas e sacadas com você aqui no Casual Brasil.

Rolar para cima