
Tem gente que passa o ano inteiro juntando dinheiro para tirar uma semana de férias em Búzios. Eu cresci em Geribá, o bairro de uma das praias mais famosas da cidade, com mar por perto, turistas chegando de tudo quanto é canto e aquela movimentação que quem mora numa cidade turística conhece bem. Um lugar que muita gente considera, com razão, um pequeno paraíso.
Aí vem a pergunta, Murilo, por que você foi embora de lá? Cara, não foi por falta de praia ou de lugar bonito. O que me fez sair de Búzios para ser nômade digital foi uma curiosidade que começou a falar mais alto. Queria conhecer o Brasil de verdade, suas cidades, pessoas, sotaques, costumes e maneiras diferentes de viver.
E descobri que não precisava esperar ficar rico para começar. Ainda bem, porque estaria esperando até hoje! Mas ó, a estrada não é só praia bonita e gente sorrindo. Tem ônibus cansativo, hospedagem que decepciona, trabalho para entregar e muita conta para pagar. Vou contar como nasceu essa vontade, o que fui buscar fora de Búzios e por que continuo achando que valeu a pena.
Búzios É Linda, Mas Minha Curiosidade Foi Maior
Crescer em uma cidade turística tem suas particularidades. Em Geribá você se acostuma com gente que chega na sexta-feira, aproveita o fim de semana e desaparece no domingo. No verão, então, o movimento muda completamente.
O pessoal chega para curtir praia, conhecer bares, namorar, fazer amizades e esquecer um pouco da rotina. Para quem mora ali, aquela agitação toda acaba fazendo parte da vida normal.
Eu gosto demais de Búzios. A Praia de Geribá sempre foi uma referência para mim, e a Ferradurinha, coladinha no canto esquerdo de Geribá, continua sendo um dos meus cantinhos preferidos.
Agora imagina crescer vendo gente do Brasil inteiro e até de outros países chegando para passar alguns dias. Um sotaque diferente aqui, uma conversa sobre outra cidade ali, turistas contando sobre lugares que você ainda nem conhece.
Uma hora comecei a pensar que queria conhecer o outro lado dessa história. Em vez de ficar sempre recebendo visitantes, por que não colocar a mochila nas costas e conhecer o lugar onde aquela rapaziada mora?
E não era só pelas paisagens. Sempre tive muita curiosidade sobre as pessoas. Como é a vida de solteiro em outras regiões? Onde o pessoal gosta de sair? É fácil fazer amizade? Os aplicativos de encontros funcionam do mesmo jeito? Será que o sexo casual é mais quente em determinados lugares?
Tinha muita coisa para descobrir, maninho. E ficar sempre no mesmo CEP não ia matar essa curiosidade.
Não saí porque estava de saco cheio de Búzios. Saí porque gostava da ideia de viver outras experiências.
Outros
A Vida Nômade Não É Aquele Comercial de Resort
Quando alguém fala em nômade digital, muita gente imagina um sujeito trabalhando com notebook na piscina de um resort, tomando um drink que custa metade da minha diária de hospedagem.
Bom pra quem pode! Na minha realidade, o papo é outro.
Viajo principalmente de ônibus, aceito caronas quando são seguras e procuro acomodações econômicas. Um quarto simples, uma cama confortável, banheiro em condições e internet decente já resolvem boa parte da parada.
Não tô aqui para vender fantasia. Tem muito perrengue nessa vida, especialmente quando você viaja economizando.
Minha grana vem dos rendimentos de investimentos e dos atendimentos que faço como coach de encontros casuais, tanto pela internet quanto presencialmente. Então preciso controlar os gastos, porque dinheiro não nasce dentro da mochila.
Uma das minhas inspirações para pegar a estrada foi o Saulo, do canal Caba da Péda, no YouTube. O cara viaja de bicicleta, conhece diferentes lugares do Brasil e mostra uma realidade bem distante daquele turismo de hotel cinco estrelas.
Gosto dessa maneira de mostrar a viagem, com paisagens bonitas, improvisos e dificuldades também. Claro que meu estilo é diferente. Prefiro ônibus, hospedagens econômicas e preciso manter uma estrutura mínima para trabalhar.
O trabalho remoto abriu possibilidades para bastante gente. Segundo uma pesquisa do IBGE, 7,4 milhões de brasileiros exerciam teletrabalho em 2022, hoje muito mais com certeza. Isso não significa que todos possam virar nômades, mas mostra que trabalhar fora de um escritório tradicional já faz parte da realidade de muita gente.
Agora imagina você chegando cansado depois de horas num ônibus, descobrindo que o quarto não era tão bonito quanto nas fotos e ainda tendo trabalho para resolver. Vixe!
É nessas horas que a liberdade cobra sua parte. Você precisa desenrolar os problemas, cuidar das próprias contas e continuar cumprindo seus compromissos.
Mas quer saber? Mesmo com tudo isso, gosto muito. Trocar um pouco de conforto pela oportunidade de conhecer lugares novos foi uma escolha que fez sentido para mim.
Duas Semanas Numa Cidade. Dá Para Conhecer Gente?
Durante a viagem, meu ritmo costumava ser de uma ou duas semanas em cada cidade. Não é tempo suficiente para virar cria de todos os bairros, mas dá para conhecer bastante coisa quando você escolhe bem o que fazer.
Uma das minhas primeiras ideias ao chegar num lugar é procurar onde correr.
Coloco o tênis, observo as ruas principais, descubro praças, parques, lugares para comer e regiões que merecem uma caminhada mais demorada. Além de cuidar da saúde, a corrida ajuda a entender o movimento da cidade.
Também gosto de procurar grupos esportivos pelo Strava. Participar de alguma atividade coletiva pode ser uma boa maneira de conhecer gente sem forçar assunto.
Para distâncias maiores, uso transporte público ou aplicativos. O Uber Moto, quando disponível e adequado ao trajeto, também entra nas opções para economizar. E não sou daqueles que precisam passar o dia inteiro passeando. Tem trampo para fazer, roupa para lavar e compras de mercado também.
Agora, e para conhecer mulheres, fazer amizades e encontrar uma turma para sair?
Aí gosto de misturar tecnologia com a vida real. Uso aplicativos como Tinder, mas também curto barzinho, música ao vivo, pagode e sertanejo.
Imagina você chegando numa cidade, encontrando um bar popular com música boa e começando a trocar ideia com alguém sobre a apresentação. Se o papo encaixar, show de bola. Se aparecer uma mina da hora e rolar química, melhor ainda.
Uma cidade como Belo Horizonte, conhecida pela cultura dos bares, oferece possibilidades diferentes de uma cidade de praia. Eu queria justamente descobrir como cada lugar se diverte, sem ficar preso ao mesmo tipo de ambiente.
Mas ó, nem toda saída precisa terminar em beijo ou sexo. Às vezes você conhece uma pessoa interessante, troca umas histórias e volta para a hospedagem feliz da vida.
Uma boa conversa também bate um bolão.
Meu Trampo de Coach Também Vai na Mochila
Uma parte importante da minha rotina é orientar pessoas sobre encontros casuais, aplicativos de relacionamento e vida de solteiro. Faço atendimentos online e, quando estou na mesma cidade de um aluno, também posso trabalhar presencialmente.
Geralmente são homens querendo melhorar a confiança, conversar com mulheres de maneira mais natural ou aprender a usar os aplicativos. Também oriento mulheres.
Mas deixa eu mandar a letra. Não existe cantada infalível que faça qualquer pessoa se apaixonar ou querer ir pros finalmentes.
O que dá para trabalhar são coisas bem mais simples. Cuidar da aparência, escolher uma roupa bacana, usar perfume sem exagerar, conversar sem ficar interpretando um personagem e perceber quando existe interesse do outro lado.
Imagina um cara que passa o dia inteiro estudando frases prontas para conquistar mulheres, mas chega num bar e não consegue escutar o que a pessoa está dizendo. Ele está tão preocupado em mandar a próxima cantada que esquece de participar da conversa.
Maninho, assim fica complicado.
Eu prefiro orientar alguém a conversar com mais naturalidade, prestar atenção na reciprocidade e não transformar um toco numa tragédia.
Quando existe atendimento presencial, faz mais sentido escolher lugares comuns, acessíveis e onde o aluno, que conhece a própria cidade, se sinta confortável. Nada de restaurante caríssimo para bancar o conquistador.
Um date pode acontecer tomando café, caminhando numa região movimentada ou dividindo uma porção num bar.
E tem outra coisa. Você não precisa pagar a noite inteira para merecer atenção de alguém. Reciprocidade conta muito mais do que tentar impressionar com dinheiro.
Se a conversa fluir, manda ver. Se a outra pessoa não demonstrar interesse, respeita e bola pra frente.
O Que Troquei Pela Liberdade de Viajar?
Às vezes alguém olha uma foto bonita de viagem e imagina que o sujeito está de férias permanentes. Mas para viver na estrada você acaba fazendo algumas trocas.
Eu não precisei virar rico, comprar uma van ou ficar hospedado em hotéis sofisticados. Só tive que aceitar que algumas comodidades ficariam pelo caminho.
Olha como vejo essas escolhas.
| O Que Muita Gente Imagina | Como Funciona Para Mim | O Que Ganho Com Isso |
|---|---|---|
| Trabalhar de frente para a praia | Procurar internet boa, organizar os horários e cumprir os atendimentos | Liberdade para trabalhar em diferentes cidades |
| Dormir sempre em lugares incríveis | Escolher hospedagens simples, limpas e econômicas | Guardar grana para continuar viajando |
| Conhecer tudo em poucos dias | Priorizar alguns bairros, passeios e atividades | Aproveitar a cidade sem virar uma corrida contra o relógio |
| Sair para baladas toda noite | Alternar bares populares, passeios gratuitos e descanso | Ter vida social sem estourar o orçamento |
| Conseguir dates em todo lugar | Usar aplicativos e frequentar ambientes que gosto, sem garantias | Conhecer pessoas com menos pressão |
| Viver sem rotina nenhuma | Manter trabalho, alimentação, corrida e controle financeiro | Conseguir aproveitar a liberdade sem abandonar responsabilidades |
Claro que existem nômades que viajam com muito mais conforto e outros que gastam ainda menos. Cada um organiza a vida de acordo com suas possibilidades.
Para mim, não vale gastar tudo hoje e depois ficar sem dinheiro para a próxima passagem. Também não adianta economizar tanto a ponto de prejudicar a segurança ou a saúde.
Ser pão duro em algumas coisas ajuda. Em outras, é melhor abrir a carteira e evitar um perrengue desnecessário.
Pessoas e Relacionamentos
Como as pessoas encaram os relacionamentos em diferentes regiões do Brasil?
Tem quem queira casar, quem prefira namorar sem dividir a mesma casa e quem esteja perfeitamente feliz solteiro(a). Também existe aquela rapaziada que quer sair, conhecer pessoas e viver algo casual sem fazer promessas de compromisso.
E sabe o que acho disso? Normal.
O problema não está em querer um relacionamento leve. Está em esconder o que realmente procura para conseguir o que quer.
Imagina começar a sair com uma pessoa, perceber que ela está procurando namoro e continuar alimentando essa expectativa mesmo sabendo que você vai embora da cidade em poucos dias.
Não curto esse tipo de papo torto.
Encontro casual pode ser bom demais quando os dois estão na mesma vibe. Rola uma conversa, um date, uns amassos e talvez uma noite juntos. Mas ninguém precisa fingir sentimentos para fazer acontecer.
Também tinha curiosidade sobre lugares como Salvador, com sua música, cultura e vida social tão diferentes daquelas com que cresci em Búzios.
Não acho que exista um estilo único de relacionamento para uma cidade inteira. Cada pessoa tem suas preferências, sua história e seus limites. É justamente isso que torna conhecer gente nova tão interessante.
E se levar um toco? Faz parte mano. Nem todo mundo vai gostar de você, assim como você também não vai sentir química com qualquer pessoa.
O lance é manter o teu mental em dia, ser sincero, respeitar a vontade dos outros e continuar aproveitando a vida.
Por Que Saí de Búzios Para Ser Nômade Digital?
Se eu tivesse que resumir, diria que queria conhecer mais gente, descobrir outras maneiras de viver e sair um pouco daquela rotina em que os dias começam a ficar parecidos demais.
Não era uma fuga de Búzios. Era vontade de conhecer o Brasil de perto, com suas diferenças, seus sotaques e suas histórias.
A viagem começou por Campos dos Goytacazes e seguiu por Serra, Vila Velha e muitas outras cidades. Cada parada fazia parte de uma curiosidade que eu carregava havia bastante tempo.
Também não acho que todo mundo precise largar a cidade natal para viver melhor. Tem gente que gosta de rotina fixa, família por perto, academia do bairro e amigos de longa data.
Show de bola. Se essa vida faz você feliz, aproveita!
Para mim, naquele momento, fazia sentido experimentar outra coisa. Não tinha garantia de que ia gostar de tudo, nem precisava ter uma resposta definitiva sobre onde queria morar para sempre.
Eu só sabia que não queria ficar imaginando como seria conhecer o país inteiro sem pelo menos tentar.
E se em algum momento eu decidir ter uma casa fixa novamente, também não vejo problema. Liberdade é poder fazer escolhas e mudar de ideia quando elas deixam de combinar com você.
O Brasil É Grande Demais Para Faltar Curiosidade
Uma coisa que procurei evitar durante a viagem foi transformar cada cidade numa competição para conhecer o maior número possível de pontos turísticos.
Prefiro descobrir onde o pessoal costuma caminhar, correr, comer, namorar, ouvir música e encontrar os amigos. Gosto de entender um pouquinho da rotina local, mesmo sabendo que uma ou duas semanas não são suficientes para conhecer uma cidade inteira.
Também quero continuar trabalhando, investindo, cuidando da saúde e mantendo a vida social. Ser nômade nunca significou abandonar tudo isso para passar o dia inteiro passeando.
E quando aparece alguém interessante pelo caminho? Melhor ainda. Pode rolar um date, uma amizade, uma conversa divertida ou simplesmente uma indicação de lugar que eu nem sabia que existia.
Foi essa curiosidade que também ajudou a dar vida ao Casual Brasil. Queria reunir experiências, pesquisas e dicas sobre cidades, aplicativos, encontros e relacionamentos modernos, sempre com a ideia de que casual não significa cafajeste.
Saí de Geribá com vontade de descobrir o Brasil, e aquela decisão abriu espaço para conhecer realidades bem diferentes da cidade onde cresci.
Nem sempre foi confortável, nem sempre o rolê deu bom e certamente não faltaram contas para fazer antes de comprar outra passagem. Mas uma coisa continuou valendo. A curiosidade sempre falou mais alto quando pensei no motivo de ter começado.
E não precisa morar na estrada para viver algo parecido. Às vezes um bate e volta, uma viagem econômica ou até conhecer melhor a cidade vizinha já rende uma experiência da hora.
Se você está pensando em fazer alguma coisa diferente, pesquisa, organiza a grana e vê o que cabe na sua realidade. Não precisa largar tudo amanhã nem esperar ficar milionário.
Eu comecei porque queria conhecer mais do Brasil. E depois de tanta estrada, continuo achando que tem muita coisa interessante para descobrir.
Agora, se me perguntar se valeu a pena sair do cantinho maravilhoso chamado Búzios, a resposta é fácil. Valeu demais! E qualquer dia tô de volta.